Uma das figuras mais conhecidas do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Janaína Paschoal voltou ao centro das discussões políticas após questionar publicamente os motivos de seu desempenho nas eleições de 2026.
De 2 milhões de votos à derrota: Janaína Paschoal questiona por que foi deixada de lado pelos eleitores
Uma das protagonistas do impeachment de Dilma Rousseff, Janaína Paschoal recebeu apenas 46,7 mil votos nas eleições de 2026 e ficou fora da Câmara dos Deputados. Parlamentar questionou se seu trabalho deixou de ser reconhecido.

Após conquistar mais de 2 milhões de votos em 2018, Janaína Paschoal não conseguiu se eleger deputada federal em 2026. A vereadora de São Paulo questionou publicamente os motivos do resultado e levantou dúvidas sobre o reconhecimento de seu trabalho político.

Promoção
A advogada, professora e atual vereadora de São Paulo disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Progressistas (PP), mas recebeu apenas 46.773 votos.
O resultado contrasta com sua trajetória eleitoral.
Em 2018, Janaína conquistou 2.060.786 votos para deputada estadual, tornando-se a candidata mais votada da história da Assembleia Legislativa de São Paulo.
Oito anos depois, a votação foi aproximadamente 97,7% menor.
A comparação, embora envolva disputas por cargos diferentes, evidencia uma mudança expressiva no desempenho eleitoral da parlamentar. HubPolítico
Janaína Paschoal pede explicações aos eleitores
Após o resultado, Janaína utilizou a tribuna da Câmara Municipal de São Paulo para refletir sobre sua derrota.
Durante o pronunciamento, a vereadora destacou sua atuação parlamentar, mencionando a fiscalização de gastos públicos e a análise de projetos legislativos.
Em seguida, questionou se os eleitores acompanham esse trabalho e se consideram sua atuação relevante.
A parlamentar também levantou a possibilidade de seu perfil político não corresponder ao que parte do eleitorado procura atualmente.
As declarações repercutiram nas redes sociais e trouxeram novamente à discussão sua trajetória desde o impeachment de Dilma Rousseff. Inhaí


Carregador 10000 mah iphone/Android
De protagonista do impeachment a recordista de votos
Janaína Paschoal ganhou projeção nacional em 2015, quando participou da elaboração do pedido de impeachment de Dilma Rousseff.
O processo resultou no afastamento definitivo da então presidente em 2016.
A participação de Janaína naquele episódio ampliou sua visibilidade, especialmente entre setores críticos ao governo petista.
Em 2018, durante uma eleição marcada pela ascensão de Jair Bolsonaro e pelo fortalecimento de movimentos antipetistas, ela disputou uma vaga na Assembleia Legislativa paulista.
O resultado foi histórico.
Com mais de 2 milhões de votos, Janaína estabeleceu um recorde de votação para deputada estadual em São Paulo.
Naquele momento, seu nome estava entre os mais conhecidos do campo político que havia se mobilizado contra os governos do PT. Folha de S.Paulo
O que aconteceu nas eleições seguintes?
A trajetória eleitoral de Janaína passou por mudanças importantes.
Em 2022, ela disputou uma vaga no Senado Federal, mas não conseguiu se eleger.
Naquela eleição, recebeu 447.550 votos em todo o estado de São Paulo.
Dois anos depois, em 2024, conquistou uma cadeira na Câmara Municipal da capital paulista, com 48.893 votos.
Já em 2026, tentou retornar à política nacional como deputada federal.
Entretanto, os 46.773 votos recebidos não foram suficientes para garantir uma das vagas disponíveis.
Confira a trajetória eleitoral:
AnoCargo disputadoVotosResultado
2018
Deputada estadual
2.060.786
Eleita
2022
Senadora
447.550
Não eleita
2024
Vereadora
48.893
Eleita
2026
Deputada federal
46.773
Suplente

Item em Oferta
Os dados mostram oscilações expressivas, mas é importante considerar que cada eleição envolve eleitorados, cargos, adversários e estratégias diferentes. HubPolítico
Janaína ficou como segunda suplente
Apesar de não conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados, Janaína Paschoal terminou a eleição como segunda suplente da federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil.
A federação conquistou cinco vagas de deputado federal por São Paulo.
No sistema eleitoral brasileiro, a distribuição das cadeiras depende do desempenho dos partidos e federações, além da votação individual dos candidatos.
Isso significa que receber uma quantidade significativa de votos não garante automaticamente a eleição.
No caso de Janaína, outros candidatos da federação alcançaram votações superiores e ocuparam as vagas conquistadas. JusConsulta
Uma nova geração de políticos ganha espaço
O resultado de Janaína também ocorre em um cenário de renovação de nomes dentro da política paulista.
Nas eleições de 2026, a influenciadora conservadora Eduarda Campopiano, de 23 anos, foi eleita deputada estadual pelo PL com aproximadamente 1,96 milhão de votos.
A votação ficou próxima do recorde estabelecido por Janaína em 2018.
Campopiano ganhou projeção por meio das redes sociais e de posicionamentos sobre temas como feminismo, religião e costumes.
O contraste entre as duas trajetórias chama atenção.
Enquanto Janaína alcançou seu maior desempenho eleitoral após ganhar notoriedade no processo de impeachment, Campopiano construiu parte importante de sua visibilidade por meio de plataformas digitais.
Entretanto, essa diferença não permite concluir, isoladamente, por que os eleitores de Janaína deixaram de votar nela. SBT News
O que explica a queda na votação?
Não existe uma resposta única comprovada para a redução dos votos de Janaína Paschoal.
Entre as hipóteses que podem ser investigadas estão mudanças no eleitorado, diferenças entre as campanhas, concorrência com outros candidatos e a forma como sua atuação política é percebida.
Outro fator importante é que a votação histórica de 2018 ocorreu em um contexto político específico.
Naquele ano, o impeachment de Dilma Rousseff ainda era um acontecimento recente e o antipetismo tinha forte presença no debate eleitoral.
Em 2026, o cenário político apresenta outros personagens, disputas e prioridades.
Para compreender efetivamente a mudança, seriam necessários levantamentos sobre o perfil dos eleitores, pesquisas de opinião e análises das campanhas.
Sem esses dados, atribuir a derrota exclusivamente a um motivo seria especulação.
6. EDITORIAL — OPINIÃO DO EDITOR
O conteúdo a seguir representa a opinião e a análise do editor da matéria e não deve ser confundido com uma reportagem puramente factual.
O reconhecimento político de 2018 era suficiente para sustentar uma carreira eleitoral?
A trajetória de Janaína Paschoal levanta uma discussão importante sobre a relação entre notoriedade pública e representação política.
Em 2018, sua participação no impeachment de Dilma Rousseff era uma das principais referências associadas ao seu nome.
A votação histórica demonstrou que ela conseguiu transformar aquela visibilidade em apoio eleitoral.
Entretanto, eleições posteriores apresentaram resultados diferentes.
A questão que merece reflexão é se o reconhecimento por um acontecimento político específico consegue se manter ao longo de vários ciclos eleitorais.
Participar de um episódio histórico e construir uma base eleitoral permanente são processos diferentes.
Uma candidatura pode receber apoio em determinado contexto e encontrar dificuldades para reproduzir o mesmo desempenho anos depois.
Isso não significa necessariamente que seus antigos eleitores tenham rejeitado sua atuação parlamentar.
Parte deles pode ter escolhido outros candidatos, mudado suas prioridades ou sequer acompanhado a nova campanha.
Também é necessário considerar que eleições para deputada estadual, senadora, vereadora e deputada federal possuem características distintas.
Portanto, a diferença entre os números não explica, por si só, os motivos das escolhas individuais.
O eleitor valoriza o trabalho parlamentar ou a presença nas redes sociais?
Outro ponto relevante é a transformação da comunicação política.
As redes sociais ampliaram a visibilidade de candidatos que conseguem alcançar grandes públicos por meio de vídeos, debates e conteúdos frequentes.
Ao mesmo tempo, atividades tradicionais do Legislativo, como análise de projetos e fiscalização de gastos, nem sempre recebem a mesma atenção.
Isso levanta uma questão legítima: como o eleitor avalia o trabalho de um parlamentar?
Pela quantidade de projetos apresentados? Pela fiscalização? Pela presença nas redes sociais? Pela identificação ideológica?
Esses critérios podem variar bastante entre diferentes grupos de eleitores.
No caso de Janaína, ainda não há elementos suficientes para determinar quais fatores tiveram maior influência no resultado de 2026.
Uma derrota que merece análise
A votação de Janaína Paschoal demonstra que a popularidade eleitoral não é permanente.
O desempenho de 2018 foi excepcional, mas não se repetiu nas eleições seguintes.
O episódio também evidencia a importância de compreender como os eleitores avaliam seus representantes ao longo do tempo.
A principal pergunta não é apenas por que Janaína recebeu menos votos, mas quais mudanças ocorreram entre o eleitorado que a apoiou em 2018 e aquele que participou das eleições de 2026.
Responder a essa questão exige mais do que comparar números.
Exige compreender o contexto político, as campanhas e as prioridades dos eleitores.

Item em Oferta


