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Política

Veja os Fatos: Janja publica vídeo contra Flávio Bolsonaro com alegações sem comprovação; veja o que dizem os fatos

Primeira-dama afirma que candidato acabará com Farmácia Popular, fará brasileiro trabalhar sete dias por semana e permitirá avanço do crime organizado; PL rebate acusações e plano de governo traz pontos que divergem das declarações.

S. souza1 min de leitura1 dia
Veja os Fatos: Janja publica vídeo contra Flávio Bolsonaro com alegações sem comprovação; veja o que dizem os fatos

A primeira-dama Janja Lula da Silva publicou um vídeo com uma série de ataques ao candidato Flávio Bolsonaro no início do segundo turno. Entre as declarações, afirmou que um eventual governo do candidato do PL acabaria com o Farmácia Popular e direitos das mulheres, enterraria o fim da escala 6x1 e permitiria o avanço do crime organizado. Parte das afirmações não encontra respaldo no programa de governo apresentado pelo candidato, enquanto outras são previsões políticas que não podem ser tratadas como fatos comprovados.

A disputa pelo segundo turno presidencial começou a ganhar força também nas redes sociais.

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A primeira-dama Janja Lula da Silva publicou um vídeo com uma série de acusações sobre o que aconteceria com o Brasil caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente.

No vídeo, Janja afirma que Flávio acabaria com o Farmácia Popular, enterraria a proposta do fim da escala 6x1, destruiria direitos das mulheres e permitiria que o crime organizado dominasse o país.

Ela também afirmou que as armas voltariam para dentro das casas e associou um eventual novo governo Bolsonaro à possibilidade de “covas abertas” caso ocorresse outra pandemia. TV Brasil USA

Mas o que dessas afirmações pode realmente ser comprovado?

O Portal TBT comparou algumas das declarações com informações públicas e com propostas apresentadas pelo candidato.

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Janja: “Flávio Bolsonaro vai acabar com o Farmácia Popular”

Essa foi uma das afirmações mais objetivas do vídeo.

Janja declarou que Flávio Bolsonaro acabará com o Farmácia Popular caso seja eleito.

Até o momento, porém, não encontramos proposta apresentada pelo candidato determinando o encerramento do programa.

O próprio PL reagiu à publicação e negou a acusação, afirmando que os medicamentos gratuitos distribuídos pelo Farmácia Popular continuarão disponíveis em um eventual governo Flávio. TV Brasil USA

Além disso, resumos independentes do programa de governo de Flávio apontam a manutenção de programas sociais, embora com propostas de reestruturação e maior integração com políticas de emprego. UOL Notícias

Portanto, até que apareça uma proposta, declaração ou documento que sustente a afirmação, não há base pública identificada para afirmar como fato que Flávio pretende extinguir o Farmácia Popular.

Janja: “Ele quer que você trabalhe sete dias por semana”

Outra frase que chamou atenção foi:

“Ele quer que você trabalhe sete dias por semana.”

A afirmação apareceu enquanto Janja falava sobre a discussão do fim da escala 6x1. Portal Papo Aberto

Flávio realmente criticou nesta quarta-feira (7) a tentativa de Lula de acelerar a aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1.

Segundo o candidato, Lula estaria utilizando a proposta eleitoralmente. Flávio defendeu que a discussão ocorra depois da eleição e argumentou que medidas como a redução de impostos sobre a folha também deveriam entrar no debate. UOL Notícias

Isso, entretanto, não equivale a defender uma jornada de sete dias consecutivos por semana.

Até o momento, não encontramos declaração de Flávio propondo que brasileiros passem a trabalhar sete dias por semana.

Janja diz que Flávio vai “destruir” direitos das mulheres

A primeira-dama também declarou que direitos conquistados pelas mulheres seriam destruídos em um eventual governo Flávio.

Aqui entramos em outro tipo de afirmação.

Dizer o que determinado governo “vai destruir” no futuro é uma previsão política, e não um fato que possa ser comprovado antecipadamente.

O programa de Flávio contém, inclusive, propostas especificamente voltadas à proteção de mulheres.

Entre elas estão maior rapidez na concessão de medidas protetivas, ampliação da rede de acolhimento e utilização de tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores. Folha de S.Paulo

Isso não impede críticas às demais posições do candidato sobre políticas para mulheres, mas significa que a afirmação genérica de que ele necessariamente “destruirá os direitos das mulheres” não pode ser apresentada como fato estabelecido.

Crime organizado “vai dominar o Brasil”?

Janja também afirmou:

“Com Flávio Bolsonaro na Presidência, ele [o crime organizado] vai dominar o Brasil.”

Novamente, trata-se de uma previsão política sobre um eventual governo futuro, e não de algo que possa ser verificado como fato hoje.

E o programa apresentado por Flávio coloca justamente o combate ao crime organizado entre suas prioridades.

O candidato propõe classificar PCC, Comando Vermelho, milícias e outras facções como organizações narcoterroristas, bloquear ativos, combater lavagem de dinheiro, endurecer penas, construir novos presídios federais e reduzir a maioridade penal. SBT News

É possível discutir se essas políticas seriam eficientes ou quais consequências poderiam produzir.

Mas isso é diferente de afirmar como fato que o candidato pretende permitir que o crime organizado “domine o Brasil”.

Armas também aparecem no vídeo

A questão das armas exige mais contexto.

Flávio possui posições favoráveis ao armamento e seu programa eleitoral adota uma abordagem mais permissiva nessa área do que a defendida pelo governo Lula. Uma análise das propostas dos candidatos também registra a defesa do armamento da população entre posições associadas à candidatura de Flávio. UOL Notícias

Portanto, diferentemente da afirmação sobre o Farmácia Popular, existe fundamento político para associar Flávio a uma política mais favorável às armas.

O que não pode ser determinado antecipadamente é exatamente qual seria o efeito dessa política sobre as famílias brasileiras.

Vídeo aparece no início de uma guerra eleitoral nas redes

A publicação acontece justamente no momento em que a campanha de Lula tenta reorganizar sua estratégia digital para o segundo turno.

Nesta quarta-feira, o próprio Lula afirmou que sua campanha no primeiro turno foi “a menos organizada desde 1989” e aliados reconheceram dificuldades na disputa das redes sociais. UOL Notícias

Janja também está no centro de uma discussão interna sobre sua participação na campanha.

A ex-senadora Kátia Abreu, integrante da coordenação da campanha de Lula no Tocantins, afirmou nesta quarta-feira que a primeira-dama estaria ocupando espaço maior que o vice-presidente Geraldo Alckmin e defendeu uma mudança nessa estratégia. Janja respondeu dizendo que continuará participando da campanha por decisão de Lula. UOL Notícias

Nem toda afirmação exagerada é automaticamente uma “fake news”

Esse é justamente o ponto central da polêmica.

Existem diferenças entre informação falsa, afirmação sem evidência, opinião e previsão eleitoral.

A declaração de que Flávio acabará com o Farmácia Popular é uma alegação objetiva sobre uma suposta proposta do candidato — e, até agora, não encontramos essa proposta, enquanto o PL a nega explicitamente.

Já frases como “o crime organizado vai dominar o Brasil” ou “direitos das mulheres serão destruídos” são previsões políticas sobre acontecimentos futuros.

Elas podem ser contestadas e comparadas ao programa do candidato, mas não devem ser apresentadas jornalisticamente como acontecimentos que já foram comprovados.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a tendência é que esse tipo de disputa aumente nas próximas semanas. A propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio volta na sexta-feira (9), com tempo dividido igualmente entre Lula e Flávio Bolsonaro. UOL Notícias

Para o eleitor, o caminho mais seguro continua sendo comparar aquilo que candidatos e aliados dizem nas redes sociais com declarações registradas, propostas oficiais e documentos públicos.

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