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Iêmen: ataque com mísseis contra campo militar deixa ao menos 60 mortos e mais de 200 feridos

Ataque atribuído aos rebeldes houthis atingiu recrutas durante uma formação na província de Shabwa e aumenta a tensão em meio à retomada dos confrontos no país.

s souza1 min de leitura4 dias
Iêmen: ataque com mísseis contra campo militar deixa ao menos 60 mortos e mais de 200 feridos

Ataque com mísseis balísticos contra um campo de treinamento militar na província de Shabwa, no Iêmen, deixou pelo menos 60 mortos e 200 feridos.

Um ataque com mísseis balísticos contra um campo de treinamento militar no sul do Iêmen deixou pelo menos 60 mortos e mais de 200 feridos, segundo autoridades locais ouvidas pela agência Associated Press nesta terça-feira (20). O número de vítimas pode mudar, já que havia pessoas desaparecidas e feridos em estado grave.

O alvo foi o campo militar de al-Alam, localizado na província de Shabwa. De acordo com as informações divulgadas, os mísseis atingiram o local enquanto novos recrutas estavam reunidos para uma atividade de treinamento.

O governo provincial afirmou que três mísseis balísticos foram disparados contra o campo. Os rebeldes houthis reivindicaram a autoria do ataque, mas não divulgaram um balanço detalhado de mortos e feridos.

O governador de Shabwa, Awad Ibn al-Wazir, declarou à emissora Al Arabiya que os mortos eram novos recrutas que estavam sendo preparados para atuar na segurança da província. Segundo ele, não se tratava de combatentes mobilizados diretamente para as linhas de frente.

Ataque amplia a escalada do conflito

O episódio é apontado pela Associated Press como um dos ataques mais letais desde a retomada da escalada militar registrada nos últimos meses. Os confrontos se intensificaram depois que ataques aéreos contra áreas controladas pelos houthis contribuíram para romper a relativa trégua que vinha reduzindo a intensidade da guerra desde 2022.

Os houthis controlam a capital, Sanaa, e outras áreas do norte do país. O grupo, alinhado ao Irã, enfrenta forças ligadas ao governo iemenita reconhecido internacionalmente, que conta com apoio de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita.

A província de Shabwa possui importância estratégica por sua localização e por fazer parte de uma região que concentra infraestrutura ligada à produção de petróleo e gás. O território também integra rotas relevantes para o abastecimento e a movimentação de forças.

Arábia Saudita também registra alerta de ataque

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No mesmo período, autoridades sauditas emitiram um alerta de segurança na região da capital, Riad, após um novo episódio envolvendo um míssil atribuído aos houthis. Segundo as informações divulgadas, o projétil foi interceptado, e as autoridades anunciaram posteriormente o fim do alerta.

O aeroporto internacional King Khalid, em Riad, havia enfrentado interrupções durante episódios anteriores de ataques. A situação evidencia como o conflito iemenita pode ultrapassar as fronteiras do país e afetar a segurança regional.

Um conflito com consequências humanitárias

A guerra civil no Iêmen começou em 2014, quando os houthis tomaram Sanaa e avançaram sobre outras áreas. No ano seguinte, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio militarmente em apoio ao governo.

Desde então, o país enfrenta uma das crises humanitárias mais graves do mundo, marcada por deslocamentos populacionais, insegurança alimentar, danos à infraestrutura e dificuldades de acesso a serviços básicos.

O novo ataque reforça as preocupações sobre a possibilidade de uma escalada mais ampla, sobretudo se os ataques de um lado forem respondidos com novas operações militares do outro.

OPINIÃO DO EDITOR

O ataque contra recrutas reunidos para treinamento mostra como a população e as estruturas de segurança continuam expostas aos efeitos de um conflito que se arrasta há mais de uma década. Independentemente das justificativas apresentadas pelas partes, a escalada militar dificulta a estabilização do país e amplia o risco de novas vítimas.

A comunidade internacional enfrenta o desafio de pressionar os envolvidos a reduzir os ataques e retomar canais diplomáticos. Sem medidas concretas para diminuir a violência, acordos temporários tendem a permanecer frágeis, enquanto civis e integrantes das forças locais continuam pagando um preço elevado.

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