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Política

Trump evita apoio formal a Flávio Bolsonaro, mas estratégia pode beneficiar candidato contra Lula

Presidente americano elogiou resultado de Flávio no primeiro turno, mas evita entrar diretamente na campanha brasileira para não alimentar discurso de interferência estrangeira explorado por Lula.

Rafael M. Lucena1 min de leitura2 dias
Trump evita apoio formal a Flávio Bolsonaro, mas estratégia pode beneficiar candidato contra Lula

Donald Trump ainda não declarou apoio formal a Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição brasileira. A cautela, porém, não significa necessariamente distanciamento. Trump elogiou publicamente o desempenho do senador, enquanto relatos indicam que aliados dos dois lados consideram mais estratégico evitar uma participação direta do presidente americano na campanha.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não declarou formalmente apoio a Flávio Bolsonaro na disputa do segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva.

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Mas isso não significa que Trump esteja se afastando do candidato brasileiro.

Pelo contrário.

Depois do primeiro turno, Trump classificou o desempenho de Flávio como uma “vitória muito, muito grande” e disse que o resultado havia sido “incrível”. Gazeta do Povo

Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, enquanto Lula obteve 45,16%. Os dois voltam às urnas em 25 de outubro. Reuters

A pergunta, portanto, é outra:

por que Trump elogia Flávio, mas evita declarar formalmente que apoia sua candidatura?

Estratégia pode estar por trás do silêncio

Segundo reportagem da Gazeta do Povo, citando informações atribuídas ao Washington Post e fontes ligadas aos envolvidos, integrantes da Casa Branca e aliados de Flávio já avaliavam que uma participação direta de Trump na campanha poderia acabar produzindo um efeito indesejado. Gazeta do Povo

Um apoio explícito permitiria que Lula colocasse novamente no centro da eleição o discurso de soberania nacional e interferência estrangeira.

Em outras palavras, Trump poderia acabar se tornando um dos principais assuntos da eleição brasileira — justamente o que os aliados de Flávio querem evitar.

Flávio não teria pedido apoio formal

Existe outro detalhe importante.

Quando Flávio esteve com Trump na Casa Branca no início deste ano, a candidatura presidencial não teria sido colocada na mesa como um pedido de apoio formal.

O empresário Paulo Figueiredo afirmou ao Washington Post, segundo a Gazeta, que Trump também não ofereceu naquele encontro um endosso oficial à candidatura. Gazeta do Povo

Relatos publicados posteriormente também indicaram que a campanha de Flávio não solicitou uma manifestação pública de apoio como ocorreu com candidatos de direita em outros países. UOL Notícias

Trump já demonstrou simpatia por Flávio

Isso não impediu Trump de comentar o resultado brasileiro.

Sua declaração após o primeiro turno foi interpretada por Flávio como uma demonstração favorável à sua candidatura.

O senador afirmou que as palavras do presidente americano demonstrariam um isolamento internacional de Lula — interpretação política feita pelo próprio candidato. Reuters

A relação entre Trump e a família Bolsonaro também não começou nesta eleição.

Jair Bolsonaro manteve proximidade política com Trump durante sua passagem pela Presidência, enquanto Flávio vem defendendo uma reaproximação entre Brasília e Washington.

Lula tenta explorar relação com os Estados Unidos

A cautela americana também precisa ser compreendida dentro da estratégia eleitoral do próprio Lula.

Após atritos entre Brasília e Washington envolvendo tarifas, sanções e críticas americanas a decisões do Judiciário brasileiro, Lula passou a utilizar o conceito de “soberania nacional” em seu discurso político.

Um apoio formal de Trump a Flávio poderia permitir que a campanha petista retomasse esse argumento com ainda mais força.

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Por isso, segundo as análises citadas pela Gazeta, manter Trump fora da campanha direta pode impedir que a eleição deixe de discutir problemas internos do Brasil e passe a girar em torno dos Estados Unidos. Gazeta do Povo

Histórico internacional também pesa

Trump já adotou estratégias diferentes em eleições de outros países.

Em algumas disputas, declarou apoio abertamente a candidatos e partidos ideologicamente próximos.

Em outras, preferiu não fazer uma manifestação direta antes da votação.

A Gazeta cita exemplos recentes no Equador, Chile e Peru, onde Trump evitou um endosso público durante determinadas campanhas, embora posteriormente tenha celebrado vitórias de candidatos conservadores. Gazeta do Povo

Isso demonstra que proximidade ideológica e apoio eleitoral formal não são necessariamente a mesma coisa.

Diplomacia também entra na conta

Existe ainda uma questão prática.

Trump é presidente dos Estados Unidos.

Independentemente de suas preferências políticas, a Casa Branca precisa considerar a possibilidade de ter de manter relações diplomáticas com qualquer candidato que seja escolhido pelos brasileiros.

Caso Lula permaneça na Presidência, Washington continuará precisando negociar com Brasília em temas comerciais, diplomáticos e geopolíticos.

Um envolvimento direto de Trump na campanha poderia dificultar ainda mais essa relação.

Aproximação sem entrar diretamente na campanha

Até agora, portanto, Trump parece ter escolhido uma posição bastante específica.

Elogia o desempenho de Flávio, mantém proximidade política com a família Bolsonaro, mas evita pedir votos diretamente ao senador.

Para Flávio, essa distância calculada também pode ter uma vantagem.

O candidato consegue preservar a relação com Trump sem permitir que Lula transforme o presidente americano no personagem principal do segundo turno.

Neste momento, a estratégia parece ser simples:

Trump demonstra simpatia, mas deixa a eleição ser decidida pelos brasileiros.

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