O mundo voltou a olhar com preocupação para o surgimento de uma possível doença infecciosa depois de um caso misterioso registrado na Sibéria, na Rússia.
Nova pandemia? Morte misteriosa em laboratório na Rússia coloca autoridades em alerta
Funcionária de instituto especializado em peste morreu após desenvolver pneumonia de origem desconhecida; dezenas de pessoas foram colocadas em quarentena, mas OMS diz que risco internacional é muito baixo.
A morte de uma funcionária de um instituto de pesquisa sobre a peste na Sibéria provocou preocupação internacional e uma onda de rumores sobre uma possível nova epidemia. Autoridades russas adotaram medidas de quarentena enquanto investigavam o caso, mas, até agora, não há confirmação de um surto de peste nem evidência de uma nova pandemia.

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Uma funcionária do Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, instituição especializada no estudo da peste e de outras doenças infecciosas perigosas, adoeceu e morreu na semana passada.
Segundo as autoridades russas, a mulher apresentou uma pneumonia de origem desconhecida. O caso ganhou enorme repercussão depois que relatos não confirmados passaram a apontar a possibilidade de ela ter contraído peste pneumônica. AP News
A situação levou autoridades a adotarem medidas preventivas.
O hospital de Shelekhov onde a funcionária morreu chegou a ser colocado em quarentena, enquanto dezenas de pessoas que tiveram contato com ela passaram a ser acompanhadas.

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A agência sanitária russa, Rospotrebnadzor, enviou sua chefe para a região de Irkutsk para acompanhar pessoalmente a situação. Reuters
Mas foi realmente peste?
Até agora, não existe confirmação oficial de que a mulher tenha morrido de peste pneumônica.
Nesta terça-feira (6), a Rússia informou que não foram encontrados microrganismos relacionados ao trabalho da funcionária em testes realizados após sua morte.
Também não foram identificados casos de peste entre as pessoas que tiveram contato com ela. Aproximadamente 60% das pessoas inicialmente colocadas em quarentena já haviam sido liberadas, segundo autoridades locais. UOL Notícias
A Rússia também informou à Organização Mundial da Saúde que nenhum caso de peste havia sido registrado em Irkutsk. Folha de S.Paulo
OMS entrou no caso
A Organização Mundial da Saúde está acompanhando a investigação.
Segundo a OMS, as pessoas que tiveram contato com a funcionária foram identificadas e monitoradas. Até o momento da atualização desta terça-feira, nenhuma havia desenvolvido sintomas compatíveis com a doença. UOL Notícias
A organização classificou como “muito baixo” o risco internacional relacionado ao possível caso. AP News
Mesmo assim, a morte chamou a atenção de outros governos.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu nesta terça-feira que a Rússia forneça mais informações sobre o episódio e afirmou que Washington acompanha a situação “muito de perto”. Reuters
Donald Trump também afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a ajudar a Rússia caso seja necessário. Reuters
Por que estão falando em uma nova pandemia?
Principalmente por três elementos: uma morte de causa ainda investigada, um laboratório especializado em peste e a adoção de quarentenas.
A combinação naturalmente trouxe lembranças do início da Covid-19 e alimentou especulações nas redes sociais.
Mas existe uma diferença fundamental.
Até este momento, não existe evidência de transmissão sustentada entre pessoas, muito menos de propagação internacional.
A peste também não é uma doença desconhecida. Ela é causada pela bactéria Yersinia pestis e atualmente pode ser tratada com antibióticos quando diagnosticada rapidamente. A forma pneumônica pode ser transmitida entre humanos por gotículas respiratórias em contato próximo, mas especialistas afirmam que sua capacidade de disseminação é bastante diferente da observada em vírus respiratórios como o coronavírus. AP News
Portanto, falar que “uma nova pandemia começou na Rússia” é prematuro.
O que existe neste momento é um episódio sob investigação que despertou atenção internacional justamente por envolver uma funcionária de um instituto especializado em uma das doenças mais temidas da história.
As próximas informações das autoridades russas e da OMS serão fundamentais para esclarecer definitivamente o que provocou a morte.

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